Âncoras.


As canções não deixam minha mente quieta, mas fazem o meu coração se acalmar. É como se completassem o vazio de todo aquele que chega e se vai deixa no meu peito, não que isso seja ruim. Eu já tive fazes piores na vida e decidi fazer as malas mesmo sem viajar, só pelo simples constrangimento de vê-las prontas sem ter para onde ir. Joguei verde tantas vezes que meus gritos já ecoam por todo o lado e os meus versos saem a passear por aí, eles passam por um rio e talvez pelo chão do seu quarto, onde provavelmente devem estar amassados embaixo de uma calça jeans amarrotada. Pensei por um tempo que bem aventurados eram aqueles que não sentiam, aqueles que não choravam e vi que nem tudo é como um dia eu pensei, talvez chorar seja a forma que a gente tem para transbordar e sentir seja como nos ancorar em um cais qualquer sem saber em que solo vamos pisar. Eu vi tudo passar enquanto trocava a água de um lindo jarro de vidro com um buquê de flores, deve ser a sorte que me impulsiona a fechar a janela da sacada enquanto você passa ou amarrar o sapato para não cruzar meu olhar com o seu. Hoje eu precisei acordar mais cedo que o normal mas isso já não faz diferença porque da mesma forma tenho dormido mais cedo, não que eu não escreva mais durante a noite, é que as vezes a gente precisa descansar para que alguns sonhos se cumpram em nós. Tem sido engraçado falar em sonhos, ultimamente eles tem se feito tão presentes durante minhas noites e inclusive nos meus dias. Acho que eu posso fechar os olhos e sentir uma corrente de ar passar por aqui e o que mais me enche de alegria que essa é a única corrente que não pode nos prender a nada.

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