Para ele.

O tempo é real, infelizmente. Queria que por alguns segundos todas as coisas ficassem calmas como uma brisa leve diante dos nossos rostos, queria sumir na verdade. Por que sempre que eu tento ir, você surge com a conversa mais fácil do mundo me desestabilizando novamente e eu estou cansada. Talvez um dia eu possa explicar tudo, mas isso não é para agora. Eu não tenho condições físicas ou psicológicas para ficar aqui, eu preciso ir e com a maior urgência do mundo para que você não tenha tempo de lembrar de mim. Eu criei um mundo dentro do meu peito e acreditei, mas agora tudo aos poucos ele vai se desfazendo porque chegou a hora de criar um novo mundo aqui do lado de fora. Sem revoluções, sem desenhos abstratos e sem você, apenas eu, um buquê de flores e uma xícara de café quentinho. Eu fui cansando com a passagem dos dias. Não cansando de você, mas cansando de mim ou do que eu era quando queria estar com você. Não que eu não o queira mais ao meu lado, porque na verdade ainda quero, mas as coisas nem sempre são como eu quero. Não sei exatamente, mas eu preciso descobrir o que eu sou quando estou longe de tudo o que eu quero, inclusive de você. Preciso ir, preciso de mim. Eu acho que não só cansei, mas uma parte do mundo que eu criei se foi, mas isso eu apenas acho e não tenho nenhuma certeza. Não queria achar nada sem antes ter procurado algo, mas achei você. Logo você, droga!

Meu mais belo poema.


O sol brilhava e você era o meu mais belo poema, guardei-o em uma caixa no fundo do guarda-roupas. Fingi que o tempo não apagaria sua beleza exposta em simples palavras, mas os traços de cada letras foram se apagando e você se foi. Sim, o meu mais belo poema tão amado me deixou só e me dói ter que escreve-lo novamente meu bem. A sua beleza talvez não seja mais a mesma e eu já não tenho certeza de que me alegrarei como antes, não consigo acreditar que o tempo o apagou e eu despercebidamente não o guardei no meu coração. Meu mais belo poema se foi, se foi e eu fiquei aqui esperando que você voltasse.  

Eu ainda estou aqui.

Eu andei durante horas ao redor daquele lago, mas ninguém percebeu. Não que não quisessem me ver, mas aos poucos estavam me esquecendo e por isso não conseguiam perceber que eu estava ali. Colhi algumas flores que gostei, tirei as sandálias e pus os pés na grama que estava um pouco molhada por causa do sereno. Foi divertido, deixei o rádio do carro tocando um jazz enquanto esperava você perceber que eu estava ali, ao seu lado. Na verdade meu bem, eu sempre estive aqui. Não que eu estivesse esperando você sentir minha falta e perceber que eu permanecia ali por semanas apenas notando que seu sorriso crescia desparelho ao meu. Você não precisava me procurar porque eu estava exatamente ali, olhando para você e a culpa não é minha se o nosso destino me guarda aqui tão longe e ao mesmo tempo tão perto de você. Então, cansada de esperar e ver que aquele lago quase nem se mexia porque naquele dia não tinha vento algum, calcei minhas sandálias, desliguei o som que tocava no carro que por incrível que pareça, não era meu e fui para longe. Mas essa vida é engraçada, porque eu ainda estou aqui.

Uma nova xícara de café e um novo buquê de flores.

Quando digo que vou, é porque eu vou mesmo. Tirei as flores que já haviam murchado e ficaram dentro de um belo jarro de vidro transparente, joguei a água que as conservou por alguns dias pela janela e esperei que novas flores chegassem para enfeitar as coisas por aqui. Na sacada da casa de um amigo vi algumas pessoas passar cambaleando e lembrei que as vezes achamos que uma garrafa de vodka pode disfarçar o buraco que temos no peito, mas as mudaram comigo agora. Na verdade meu bem, nunca imaginei que tudo mudaria tanto e tão rápido. O sol se pôs e eu precisei ir, assim como amanhã provavelmente eu esteja de volta e com um novo buquê de flores para colocar no mesmo jarro de vidro e com uma xícara de café fresco. Sim, uma nova xícara de café porque esse café que bebi enquanto escrevia mais um punhado de versos soltos estava tão amargo e frio quanto o coração daqueles que passaram cambaleando por mim. Assim como o amanhã vai se levantar eu digo que talvez eu o veja nascer, possivelmente eu não durma e amanhã quando o sol voltar para mim estarei o esperando alegremente com um café fresquinho e um trecho de um livro qualquer por terminar.

Vou correndo.

Eu corri muito, corri para o meu conforto. Corri para fugir ou seja lá o nome que você quer colocar, mas eu acordei e soube que precisava ir, precisava decidir o que seria de mim quando alguém quem quero por perto partisse para um lugar que não é meu. Então, você partiu e eu só quis estar contente com o que estava por vir. Corri mais e mais, exatamente quando pensava em sentar sob uma árvore bonita lembrava que precisava ir. Não por você, mas por mim eu precisava estar onde eu queria e quando eu queria, em um movimento todo meu. Eu não consigo me adaptar e isso é só meu, as pessoas nem sempre correm para fugir. E mesmo que o mundo estivesse ao contrário eu estava em paz, fiz da corrida um amor. Deixei o coração aberto não para um alguém, mas sim para eu descobrir o que se passa por lá. O cansaço foi me alcançando desprevenida, mas encontrei no cansaço um novo verso e dele eu fiz mais um arco-íris. E eu vou correndo.

Hoje.

Sabe, eu sinto falta do telefone tocando no meio da noite para me acordar e dos amigos que contam boas história mesmo sendo mentira, dos elogios e das flores que eu imaginava que um dia estariam no tapete de entrada da minha casa. Mas as coisas são assim, a guerra é sempre constante e mesmo que a gente queria, as coisas só giram e voltam para o seu devido lugar de origem. Engraçado que agora eu estou de pés descalços escrevendo no meio da cozinha pelo simples fato de que eu preciso, eu preciso descarregar para recarregar. Eu só queria que alguém maior que eu olhasse nos meus olhos e dissesse com uma doce e aguda certeza que tudo vai ficar bem, que tudo vai dar certo e que amanhã o sol vem me visitar. É, eu preciso de visitas e preciso de tempo para contar o que tem me afligido. Mas eu ainda sonho com tudo girando e indo para onde eu mais quero estar, são apenas sonhos, eu sei.

O tempo e o vento.

Tenho sentido falta de erguer os braços ante ao vento e esperar a brisa tocar o meu rosto, onde moravam apenas eu e meu bloco de anotações. Eu fechava os olhos e podia voar sozinha apenas com a mente aberta, era tão bom e eu tinha tanto tempo. Gostava das pausas para respirar, para ocupar o coração com o que não faz sentido e hoje o que eu tenho é um relógio correndo como uma lebre e então eu queria só o vento. Faz tempo que o tempo tem fugido de mim, ele vai fugindo aos poucos e vou diminuindo mesmo sem querer. Eu sinto falta do vento me abraçando como se fossemos velhos amigos, como se nos conhecêssemos a muitos e muitos séculos. Queria muito mais tempo, muitos mais vento e muito mais dias de sol.

Perfume amigo.

Ah meu amigo, que saudade te aconselhar como se fosse meu irmão mais novo. Hoje bateu um arrependimento por ter deixado você pelo caminho, senti saudade do seu perfume enquanto estava sentado no sofá da sala ouvindo o que eu tinha para lhe dizer. Logo você que me trouxe ao mundo dos versos, que me mostrou que escrever é como abrir uma gaiola e deixar as palavras voarem. A saudade bateu tão forte e falou tão alto que as lágrimas foram se desprendendo dos meus olhos e escorregando pelo rosto como num passe de mágica. Foi bom ouvir a sua voz agora, mesmo de tão longe me trouxe um sorriso que não dá para medir. Vou sentir tanta saudade do seu perfume e daqueles apertos de mão engraçadinhos, mas quem sabe a gente se encontra por aí. Eu te amo muito, muito mesmo e você sempre estará entre as vozes que eu mais gosto de ouvir.

A caixa

Em uma caixa eu guardei os meus mais queridos versos para que um dia sorrindo eu possa lhe reler, guardei o que havia de melhor em mim, mesmo sem ter certeza de que esse dia irá chegar e eu poderei ler tudo o que eu já escrevi pensando no que está por vir. Escondi meu sorriso da chuva, escondi o meu amor de você. Deixei-me enganar e o vento foi me levando, mas a caixa continua lá cheia de esperanças escritas. Normalmente não tenho muito tempo para desperdiçar lendo novamente o que eu já escrevi, mas um dia ler tudo o que já se foi e vou lembrar das canções que ouvi enquanto escrevia. E assim, a caixa cheia de pequenos textos descritos como um buquê de flores vai se completando a cada dia mais e mais.  

As suas dores

Queria levar em mim as suas dores,
carregar nas minhas costas o seu mundo.
fazer com que minhas lágrimas,
florissem os meus sonhos, em seu coração.
borrifar o seu perfume no vento,
para poder guiar a esperança
que de hora em hora se perde.
somos duas rotas para o mesmo destino
se perdendo em distintos atalhos
e adiando o ponto de chegada.
queria fazer das suas palavras
uma boa poesia, e da sua voz, nem tão boa,
a minha nova melodia.
(...)

(Barba, Café e Poesia - Phillipe M.)

Das flores que já se foram.


Eu vi as flores mais belas de um jardim que nunca foi meu, as apanhei e só então, percebi que havia lhes tirando a vida e isso me dói tanto até hoje. Assim como seu jeito me tira do eixo e eu espero um belo buquê de flores que já se foram, mesmo sabendo que você não vem. Espero por você até o gelo queimar e mesmo que não queime, o meu peito arde de saudades. Eu guardei um restinho do meu amor pra quem também espera por mim, bem que esse alguém podia ser você. Lembro das flores que matei, lembro de você. Em cada verso meu, tem um pouco de quem talvez não saiba de mim e mesmo que sem entender você faz parte do meu jardim. Andei por aí e não encontrei ninguém que me fizesse um mal que me faz tão bem. Espaço para os meus livros já não tem, ocupei todo espaço livre com meu buquê de flores mortas e por mais que seja absurdamente triste, não ganhei de você.

Eu só queria.

Eu queria tanto falar sobre o meu livro, deter o tempo em minhas mãos. Queria dançar mais, bem mais, de preferencia durante uma chuva de verão. Sonhei tantas vezes em contar a história da bela Ana através de suas cartas, mas o tempo tem me derrubado no ar. Euforicamente tentei relatar uma viajem de dias em poucos minutos, mas não foi possível, a respiração acabou por ficar ofegante devido a empolgação em ver o sorriso de quem eu tanto gosto. Mas não posso negar, a felicidade tem me encontrado em algumas manhãs e isso tem me inspirado a uma coragem que eu sequer sabia que existia aqui. Mesmo sem ter onde me apoiar, vou cambaleando e sorrindo com alguns livros rabiscados, as noites tem teimado e não me deixam mais dormir. Eu perco o sono pra pensar, talvez eu tenha descoberto tudo o que é meu por mérito de pensar muito e também sem dormir eu vou tendo mais inspiração, tem sido bom acordar enquanto todos dormem. Fui escrevendo e quando percebi, havia criado novas vidas e talvez isso tenha me feito perder o sono ou tenha trazido esses lapsos de felicidade. Eu fui criando sonhos e explicações, fui desenhando o deserto. Queria voltar a dançar, mesmo que não seja com você e também, se não for pedir demais, queria mais sorrisos teus. É, pra ver mais sorrisos durante o dia eu vou fazendo qualquer negocio. Sei que o que eu digo parecem frases feitas e ensaiadas, mas não são. Talvez eu me descontrole atrás dos meus sonhos e meu humor se desequilibre as vezes, mas eu só queria contar a história da bela Ana.